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“Jovens estão mais atentos na hora de escolher o voto”, afirma Paulo Carrano

Os jovens hoje buscam se informar melhor sobre o histórico dos candidatos, mas estão descrentes com a atuação de partidos, sindicatos e conselhos governamentais. A opinião é de Paulo César Carrano, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense e membro do Conselho Nacional de Juventude, concedida em entrevista exclusiva à Ação Educativa.

A profusão de denúncias de corrupção, para ele, disseminou uma sensação de descrença entre os jovens acerca da política, mas é sinal de que instituições democráticas estão mais maduras e independentes. “Os políticos profissionais estão pedindo licença para fazer suas campanhas. Há um constrangimento daqueles que estão com o ‘rabo preso’”, afirma. Confira a entrevista:

Há um cenário eleitoral diferenciado hoje no Brasil em decorrência dos mais recentes escândalos na política. Esse cenário tem implicações na forma como os jovens se engajam para participar do processo eleitoral?

Esse processo todo não uma invenção recente. O Estado brasileiro tem uma trajetória de pouca lisura com a coisa pública. Talvez, possamos ler os eventos mais recentes como resultantes dos ventos da democracia, que permitem que algumas instituições atuem sobre a corrupção e, assim, as coisas puderam aparecer mais.

As instituições estão mais maduras e independentes e isso abre possibilidades de um maior controle. Passa a existir mais autonomia entre as instituições que estruturam a democracia brasileira.

Perversamente, ao mesmo tempo, a aparição de denúncias graves de corrupção no Brasil cria um sentimento de que essas instituições estão muito fracas, incapazes de manter a democracia brasileira. É sobre essa visão que precisamos atuar e isso não se faz com palavras de elogio às instituições, mas com ações concretas que fortaleçam a democracia, a participação e o controle social.

E os jovens nesse cenário?

Os jovens estão vivendo isso tudo como o conjunto da população. Mas o cenário político atual, talvez, permita uma renovação política. Tenho a impressão de que os políticos profissionais estão pedindo licença para fazer suas campanhas. Há um constrangimento daqueles que estão com o ‘rabo preso’.

Acompanhei uma discussão, no Rio de Janeiro, com jovens que disseram não acreditar mais em promessas. Uma jovem afirmou que, para votar, preferia acreditar na história dos candidatos e no comprometimento destes com algumas questões. Isso quer dizer que, além de formular suas propostas para convencer essa jovem, um candidato precisaria convencê-la sobre seu passado. Estar antenado na trajetória dos políticos é positivo e os jovens dessa discussão mostraram-se interessados. Isso não significa a inexistência de um desencantamento, mas a preocupação pode acenar para uma postura mais radical.

Mas isso não dá margem para votos ancorados apenas na figura dos políticos e pouco em suas propostas?

Nesse ponto não há mudança. O Brasil sempre foi personalista. As legendas perderam legitimidade e isso não é culpa dos eleitores, mas dos próprios partidos políticos. Ao mesmo tempo, acho que isso tem uma conotação positiva sim. Olhar a trajetória política de um candidato ajuda muito na avaliação sobre a capacidade dele de influir sobre determinadas temáticas.

Você acompanhou uma pesquisa nacional sobre os jovens brasileiros, a Juventude Brasileira e Democracia. Nessa pesquisa como é que os jovens percebiam o tema da participação política e o seu próprio engajamento?

Acompanhar esse trabalho foi muito interessante. Um dado muito especial é que os jovens reconheciam que a participação por meio da política mais institucional era a que resultava em possibilidades de mudanças efetivas nas suas vidas. Ao mesmo tempo, os jovens participantes da pesquisa não se viam nesse lugar, ou seja, não pensavam em atuar em partidos, sindicatos, conselhos governamentais, porque reconheciam que se tratava de um ambiente perverso e sujeito à manipulação.

Além disso, assumiam que não tinham informação suficiente para atuar nesse campo. Trata-se de um vácuo!

Uma parcela dos jovens, não majoritariamente, na sociedade brasileira busca caminhos alternativos. São caminhos minoritários, que tem por base o associativismo em torno de questões como o esporte, a arte e a religião.

O que agrega esses jovens é a mobilização em torno de questões simbólicas. Mas é preciso olhar para esse fenômeno com cuidado. Às vezes, eu vejo pessoas com certo conforto em fazer a afirmação de que os jovens estão participando de outra forma, mas essas formas, em sua maioria, não são de luta política.

A crise na participação é uma questão. É um fato, mas que não está restrito ao universo dos jovens.

O fato dos jovens afirmarem desconhecer ou ter poucas informações sobre os mecanismos de participação institucional não é uma questão muito importante?

É sim. A pesquisa fez uso de um material, um caderno, em que os jovens tinham a possibilidade de obter informações sobre três caminhos participativos hipotéticos (Caminho 1 – "Eu me engajo e tenho uma bandeira de luta", que dizia respeito ao engajamento na atuação em partidos políticos, organizações estudantis, conselhos e movimentos sociais; Caminho 2 – "Eu sou voluntário e faço a diferença", sobre a ação individual e voluntária dos jovens em ações sociais, culturais e de assistência; Caminho 3 – "Eu e meu grupo: nós damos o recado", que tratava de jovens atuando em grupos culturais, esportivos, religiosos, entre outros).

O Caminho 1 foi o menos votado, mas foi o que mais ganhou adesão ao longo do debate. Ou seja, os jovens foram redefinindo seu posicionamento em relação à participação na política mais institucionalizada, a partir da possibilidade de discuti-la. Isso mostra que quando as pessoas, inclusive os jovens, têm uma esfera pública de partilha sobre o assunto, tendem a valorizar os partidos, os movimentos, as organizações políticas, reconhecendo um espaço importante de ação.

Esse resultado também mostra que há poucos espaços de partilha e que as cidades carecem de espaço público, que garantam a circulação de idéias e a construção de vontades mais coletivas. Não tenho dúvida de que a escola pública, por seu caráter plural e universalista, para as crianças e jovens, pode ser esse espaço e que ela não tem sido.

Fonte: Site Ação Educativa

 

 

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