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O terror que mobiliza o Complexo do Alemão
No dia 11 de outubro, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) iniciou uma violenta ocupação do Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro. Em 12 dias de operação ostensiva, segundo relatos, um número ainda não conhecido de moradoras e moradores foram assassinadas/os, feridas/os, extorquidas/os, roubadas/os e tiveram suas casas e estabelecimentos comerciais depredados por policiais. Sob a justificativa de procurar por dois traficantes, a polícia instaurou o terror em 21 comunidades que compõem o Complexo e que somam mais de 200 mil habitantes.

A favela está cansada, são muitas vitimas inocentes, são muitos os furos de “bala” de fuzil, são muitas as lágrimas das crianças e de suas mães....a favela cansou e está se mobilizando para que esta realidade imposta tenha o mínimo de transformação.

Foram registradas pela polícia as mortes de dois traficantes e quatro moradores, estes atingidos em supostas trocas de tiros entre policiais e criminosos. A imprensa não divulga estes fatos ocorridos no local. Moradoras/es da comunidade afirmam que os meios de comunicação não iam àquelas comunidades desde o assassinato do jornalista Tim Lopes.

No dia 24 de outubro de 2006, aconteceu uma coletiva de imprensa na favela da grota, um dos pontos estratégicos da policia, numa tentativa de tornar conhecido o que está sendo vivido na região. Estiveram reunidos mais ou menos 300 pessoas (moradores, comerciantes, representantes de instituições, presidentes de associação de moradores, representantes do poder público), que criticavam esta última operação policial que está aterrorizando os moradores desta comunidade e adjacência a duas semanas.

Nesta reunião o objetivo era gerir um documento assinado pelos participantes contra a postura das policias nas favelas, vai além das comunidades do Complexo do Alemão, pois o comportamento policial criticado neste encontro acontece em qualquer favela carioca.

Uma mesa era composta por presidentes das associações locais, onde os quais eram responsáveis por pressionar de maneira clara e direta o poder público e sua inércia em relação aos fatos ocorridos nas últimas semanas na comunidade.

Vagner, presidente da Associação de Moradores Joaquim de Queiroz (Grota), ao iniciar seu discurso, afirmou que naquele exato momento – 14:30h - acabara de falecer uma senhora, segundo ele, vítima de mais uma bala perdida e que a opressão é tão grande que muitas pessoas não estavam presentes na reunião pelo medo de simplesmente sair de suas casas.

A indignação com os conflitos e com o descaso esteve estampada na face das pessoas durante todo o encontro. Todos que estavam ali estavam questionando uma coisa apenas: os procedimentos usados pelas policias nesta ocupação, o abuso do poder e não a policia em si. Várias faixas expostas por moradores, com frases que mostram um desagrado de serem tratados sempre como criminosos e que reivindicavam reconhecimento de seu direito à vida e a cidadania.

Os relatos de pessoas vitimas desse abuso eram coisas inacreditáveis de um ser humano cometer com outro ser humano. Segundo um comerciante local, um grupo de policiais ameaçou com faca um motorista de caminhão de material de construção e obrigou o garoto a beber desinfetante, além de muitos transtornos causados pelos tiros em transformadores da Light, causando queda de energia na maioria das casas.

Os relatos não pararam por ai, a presença dos “moto-taxistas” local era forte, e questionavam o desrespeito com os mesmos. Fizeram um protesto com faixas que diziam: “não somos motobombas, somos trabalhadores mototaxis.” Deixando claro a indignação e a despreza pela instituição policial.

A todo o momento as pessoas criticavam o poder público e se emocionavam a cada relato exposto. Testemunhos como o de um comerciante foi o que mais revoltou os presentes. Este comerciante afirma que alguns policiais atearam fogo em seu comércio numa das favelas do Complexo depois de terem roubado seus produtos.

Na segunda-feira, 23/10, alguns destacamentos foram retirados das comunidades, mas muitos carros da polícia ainda podem ser vistos circulando pelas ruas, principalmente o “caveirão”, este que traz o medo ao invés do sentimento de segurança. Apesar de o comando do BOPE declarar o fim da ocupação, moradores afirmam que ainda há bases no local. Nenhuma grande apreensão de drogas ou armas foi feita durante a ocupação.

Como em toda favela, menos de 1% dos residentes possuem ligação como tráfico de drogas. E para provar isso, o fechamento do encontro ficou por conta de um artista local, com todos os participantes com as mãos dadas e para o alto, simbolizando um pedido de paz, e MC Playboy cantando sua música “Abuso do Poder”, que aborda uma discussão voltada para essa realidade vivida pelo Complexo do Alemão nessas últimas semanas.

A pressão da comunidade não para ai. Já está fechado um próximo encontro, 30/10, na Igreja de São Sebastião de Olaria, para continuarem traçando estratégias de ação contra essa postura das polícias para/com nas favelas do Rio.


David da Silva

Coordenador da Rede Juventude Cidadã


 

 

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