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"Sacanagem"
Por: Vanderlei Martinelli

O Trabalho Infantil em Goiânia
Antônio Santiago (Goiânia - GO)
Publicado em 18/10/2005

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Sacanagem


Chegou finalmente mais um carnaval. E eu que pretendia escrever alguma coisa sobre ele, mas não me sai da cabeça um monte de músicas do Chico Buarque. “Um dia afinal, tinham direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia, que se chamava carnaval. O carnaval, o carnaval...

Vai passar...” Esta é uma música que se deixar eu canto o dia inteiro, sem me cansar e sem enjoar. E é muito boa para lembrar que continuamos, nós brasileiros, “levando pedras feito penitentes, erguendo estranhas catedrais” e que nesta época do ano (só nesta?) viramos alienados: não importa qual a sacanagem (no mau sentido) que o governo e todo o mundo pareça fazer com a gente, a gente só consegue pensar em fazer sacanagem (esta, no bom sentido). Bem, nem precisa falar que antes da sacanagem é bom lembrar em passar na farmácia e comprar camisinhas, né? Pegar uma doença sexualmente transmissível ou encarar uma gravidez que você nem esperava... É sacanagem!

Mas, já que falei de farmácia, também é bom não dirigir em hipótese alguma se você pretende beber mais que dois copos de cerveja neste carnaval. E drogas nem pensar! Elas não são proibidas só porque o governo ainda não conseguiu cobrar impostos pelo seu consumo. Elas acabam com você mesmo. Não são do bem. Aliás, o álcool quando em excesso também é droga e não é do bem.

Sacanagem mesmo foi a Globo mudar de “Globeleza”, mas ainda bem que mantiveram a tradicional na vinheta, pelo menos no começo. Aliás, esta é uma das provas vivas da hipocrisia brasileira. Se a Globo exibisse em Junho, por exemplo, uma mulher nua dançando uma música de festa junina em pleno meio-dia, seria suspensa por alguns dias. No carnaval pode, pode ter bundas e seios de fora... Aliás, pode ter tudo de fora. É bom para nos lembrarmos que somos hipócritas mesmo e que a nudez é linda. E daí se estimula ao sexo? Todos nós não adoramos sexo? Ah... mas têm as crianças que não podem ver tais “sem-vergonhices”. Mas criança pode assistir ao Jornal Nacional e ver as “sem-vergonhices” que nossos políticos, empresas, traficantes e mau caráteres de plantão costumam aprontar bem na nossa frente. Pode também saber que existem outras crianças morrendo de fome neste exato momento no país. Que a maioria delas não têm acesso à educação, nem têm futuro. Isto é sacanagem de verdade. Explícita e sem o menor constrangimento.

Mudando o assunto: ‘Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar. E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar: tou me guardando pra quando o carnaval chegar.’ Bem, o carnaval chegou. Já me guardei o suficiente. É hora de mudar e revidar. Não fazer isto seria sacanagem comigo mesmo.

“Mas é carnaval, não me diga mais quem é você...” Mesmo que ninguém diga quem é, vale uma última lembrança: as pessoas no carnaval também têm sentimentos. Continuam sendo pessoas, reais, como você. Ah... E quem sabe conseguiremos também diminuir o número de brigas, mortes e acidentes de trânsito no carnaval deste ano? Se quiser fazer sacanagem, faça, mas sem sacanear ninguém, tá?

Por
Vanderlei Martinelli
Poeta, escritor e analista de sistemas. Foi articulista do NM entre dezembro de 2002 e maio de 2005.

 

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